Chafariz
“Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.” (Manoel de Barros)
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009
Sexta-feira, Outubro 17, 2008
Quarta-feira, Julho 30, 2008
Terça-feira, Julho 08, 2008
Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
“Me pareces un ridículo souvenir sonriente,
cuando yo tiemblo entre la vida y la muerte.”
me diz: fora!
me obriga a partir.
Em mil parafusos tontos
me verto, fincando em aperto
um fantasma de ti.
Sua surdez faz meu grito,
teu riso, meu afronto.
Me velo a tal ponto
e me perco daí.
.
Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Domingo, Novembro 25, 2007
Lençol
Seu lenço,
resto de mim.
Rosto de pano:
botões pregados
em meus olhos.
Vai! Deixo que vá,
deixa seu lenço,
único silêncio
roto de
ti.
Quarta-feira, Setembro 26, 2007
Segunda-feira, Maio 07, 2007
Domingo, Março 04, 2007
A.C.
enquanto meu olhar
te busque detrás das portas,
.
senão a tua imagem, e haja
a remota possibilidade
de que estejas em algum lugar,
sob uma luz qualquer...
Enquanto eu pressinta que és
assim, com esse nome teu
de força,
e sejas também chuva
a me encharcar.
Seguirei assim, como venho sendo,
como serei agora e sempre:
silenciosamente afogada em teus cílios,
sob esse amor
que explode e não estilhaça.
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Projeto Poesia na Boca da Noite 2007
O projeto Poesia na Boca da Noite chega ao quarto ano com bastante fôlego. Para a estréia, no dia 6 de março (terça-feira), às 20 horas, no Restaurante Grande Sertão, foram convidados os poetas Damário Dacruz e Priscila Fernandes.
O evento é mensal, sempre numa terça-feira, e tem como principal objetivo criar um espaço em que os expoentes da nova geração poética da Bahia – da capital e do interior – possam declamar seus poemas, falar sobre seus processos de criação e, também, interagir com o público presente. Em 2007, o evento vai contar com a participação de 19 poetas, sendo dois deles de outros estados: Carlos Gildemar Pontes, do Ceará; e Linaldo Guedes, da Paraíba.
Até 2006 o projeto priorizava autores com livros publicados. Agora, abre espaço para os poetas que desfilam seus versos nos blogs, na internet. Martha Galrão (http://mariamuadie.blogspot.com), Héber Sales (http://hebersales.blogspot.com), Priscila Fernandes (http://pffernandes.blogspot.com) e Grazziela Barreto (http://grazzibarretto.blogspot
Damário Dacruz é poeta e jornalista. Nasceu em Salvador, é graduado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação. Percorreu mais de 20 países, expondo, fotografando e escrevendo. Criador do Pouso da Palavra, espaço de arte e cultura na cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano. Publicou três livros de poesia, dentre eles O Segredo das Pipas (2003), e cerca de 30 posters-poemas com mais de 100.000 exemplares vendidos. É autor do famoso poema Todo Risco e um dos nomes representativos da geração de poetas da Bahia dos anos 70/80.
Priscila Fernandes nasceu em Salvador e tem 21 anos. Logo cedo descobriu, na estante de sua mãe, alguns livros de Cecília Meireles, e desde então se vê de mãos dadas com a poesia. Hoje, estudante de Letras na UFBA e de psicologia na FRB, Priscila mantém um blog onde publica seus poemas periodicamente: Chafariz ( http://pffernandes.blogspot.com).
Poesia na Boca da Noite conta com a coordenação do poeta e jornalista José Inácio Vieira de Melo, co-editor da revista "Iararana", autor do livro "A Terceira Romaria" e organizador da coletânea "Concerto lírico a quinze vozes".
Sobre a relevância do projeto, Ruy Espinheira Filho, um dos mais importantes poetas do Brasil, afirmou, em artigo publicado no A Tarde Cultural, que "é preciso aplaudir os poetas que dele participam. E, em especial, louvar José Inácio Vieira de Melo, assim como o José Ronaldo, proprietário do restaurante Grande Sertão, pois estão realizando um trabalho notável de divulgação – e também estímulo, é claro – de nossa poesia. Trabalho importante hoje – e que por certo será uma referência na história da poesia baiana".
O restaurante Grande Sertão, palco das noitadas de poesia, fica na Rua Adelaide Fernandes Costa, 122, no Bairro Costa Azul (Em frente à Cantine Cortile). O ingresso para o evento custa R$ 5,00. Fone: 3271 1119.
PROGRAMAÇÃO DO PROJETO POESIA NA BOCA DA NOITE 2007
06 / 03 / 2007 – Damário Dacruz (Cachoeira) e Priscila Fernandes
10 / 04 / 2007 – Héber Sales e "Bicho-Homem" (Recital com Edmar Vieira (Maracás) e José Inácio Vieira de Melo)
08 / 05 / 2007 – Carlos Gildemar Pontes (CE) e Grazziela Barreto
03 / 07 / 2007 – Antonio Carlos de Oliveira Barreto e Genny Xavier (Itabuna)
07 / 08 / 2007 – Odelita Figueiredo e Silvério Duque (Feira de Santana)
04 / 09 / 2007 – Linaldo Guedes (PB) e Márcia Tude
02 / 10 / 2007 – Martha Galrão e Wesley Correia (Cruz das Almas)
06 / 11 / 2007 – RETROSPECTIVA – Goulart Gomes, Kátia Borges, João de Moraes Filho (Cachoeira) e Rita Santana
SERVIÇO:
O QUE: Projeto Poesia na Boca da Noite
ONDE: Restaurante Grande Sertão
QUANDO: 6 de março de 2007 (terça-feira)
HORÁRIO: 20 horas
VALOR: R$ 5,00
MAIORES INFORMAÇÕES:
José Inácio Vieira de Melo: (73) 8118 9442 / 3526 1936 – jivm.inacio@ig.com.br
Damário Dacruz: (71) 9192 9540 e (75) 3425 1604 – damariodacruz@globo.com
Priscila Fernandes: (71) 3336-4312 / 99716641 – priscilaff@gmail.com
Sexta-feira, Janeiro 26, 2007
fôrma exata
de arredores.
Na impermanência do ar
chuva fina de promessas...
Palavra sem raiz
a cortar peles de ontem!
Todo olho é buraco.
Caco liquido,
cadente.
Baixo sete palmos de terra:
meu estômago farpado...
...e o dedo ainda pinga o pacto
Sábado, Janeiro 06, 2007
Segunda-feira, Novembro 20, 2006
Domingo, Outubro 29, 2006
Terça-feira, Outubro 03, 2006
Terça-feira, Setembro 05, 2006
Terça-feira, Agosto 08, 2006
Domingo, Julho 30, 2006
Quarta-feira, Julho 26, 2006
Salvador Dalí. Cenicitas. 1927-28o que está em órbita,
disposto ao eixo.
.De ti só espero um quarto
do teu todo
um naco do teu meio,
um cisco
do teu seio.
Segunda-feira, Julho 17, 2006
Segunda-feira, Julho 10, 2006
Sábado, Julho 01, 2006
Renoir, Pierre Auguste . Roses and Jasmin in a Delft Vase. 1880-81- segura -
a ultima flor da primavera passada.
E se ainda menos
fosse-me permitido,
a semente, talvez, bastaria.
Soube, por vozes frágeis,
que já não estarão as flores
na próxima estação colorida.
Antes houvesse roubado
[para que eu e o sol
continuássemos a ter motivo]
Quarta-feira, Junho 21, 2006
a simplicidade
não está
em coisas
simples
em objetos
miúdos
em fabulosos
destinos
de amelies-poulain.
.
Sexta-feira, Junho 16, 2006
Amo(r)finado
ESCHER, Cornelis. Sky and water. 1938. a C.O.
a este céu de sódio.
Céu vazio dentre
palmas de persiana.
Uma poça de céu
e umas aves circulares.
Tonelada de mármore polido:
carrego o peso, deitada,
e o céu me avança.
Tento um risco
na superfície enrugada.
Obtuso céu de rigor
e brancura.
Peço que me obture
e me devassa,
como ao ópio sua substância.
Morfeu, deus do sono,
céu de gesso e magnésia.
Ampola de fosco vidro com morfina.
[Me vergo a esse leito de agulhas]
Dormência cervical e escópica
desse olhar horizontal
e amofinado.
Segunda-feira, Junho 12, 2006
Sábado, Junho 10, 2006
Terça-feira, Junho 06, 2006
POLLOCK, Jackson. The She-Wolf. 1943 como um desvelo
.
Nada de tão simples desterro,
improfícuo despacho
ou improvável mau zelo.
Nada, que destrambelha
e faz nome. Vocábulo
perene, impregnado.
Perrengue rasteja
Mazela do corpo
inscrita na casca (de vez)
da alma. Piripaque profético,
patético, escancarado.
Ziquizira capenga,
escafandrista do avesso.
Dói a carne do osso:
no esboço do medo
que transborda
-em fardo-
E não se fala de corda
em casa de enforcado.
Sexta-feira, Junho 02, 2006
MATISSE, Henri. Satyr and Nymph. 1909 sobre o frenesi do seu dito.
Descompostura que me diz sua
no espaço possível desse manifesto.
Meu cansaço é estar debulhada,
retalhada e imóvel pelos punhos
na parede do seu busto
- golpe seco de brita.
Meu cansaço é estar disposta
e muda...
descarnada de franqueza
nessa cartilha antropofágica.
Meu cansaço é ouvir
a voz do seu estomago
e me afundar num sono
de mil e uma quarentenas.
.
Segunda-feira, Maio 29, 2006
Sábado, Maio 20, 2006
Segunda-feira, Maio 08, 2006
Hai-cortes
MAGRITTE, René. Hegel's Holiday. 1958. I.
Eterno
só o que vibra
Todo o resto é curto
como cílios de boneca.
II.
Crescente num espaço
sem tropeços
a vida
desaba.
III.
Para dormir hoje
melhor contar ácaros
que carneirinhos.
IV.
Nem se quer a morte
- por sua parte imensa -
escapa ao erro
V.
Isento e livre
(como névoa amanhecida)
esse amor, já sem mim,
amará para sempre.
Sexta-feira, Maio 05, 2006
Terça-feira, Maio 02, 2006
Segunda-feira, Abril 24, 2006
Terça-feira, Abril 18, 2006
PICASSO, Pablo. The Rape of the Sabine Women. 1962-63. Mulheres berram como ovelhas
Sexta-feira, Abril 14, 2006
Domingo, Abril 09, 2006
Quinta-feira, Abril 06, 2006
como a febre
que muito pinga.
Esconde, pois, tua beleza
dessa umidade.
Cobre os membros
com trapos foscos.
Guarda-te do meio dia,
das horas todas.
Protege-te, defende-te.
Cobre tua beleza...
com sono,
com tecidos gordos,
com esteiras de aço.
Para que eu, só,
te descubra,
te desnude,
te desvele.
Terça-feira, Abril 04, 2006
Quarta-feira, Março 29, 2006
Quinta-feira, Março 23, 2006
e seus rocks revoltosos:
[jovens que bebem vinhos baratos em manifestações]
Todos tão juntos, gritando,
com seus cigarros!
Trezentos amigos íntimos.
Sexo instantâneo, em pó e solúvel.
Gestos em ebulição.
Suas fragilidades...
...suas fragilidades
e seus chicletes no canto da boca.
(Nasci com 80 anos,
e hoje morro, com 82).
Terça-feira, Março 21, 2006
(cena do filme "Psicose" de Alfred Hitchcock)Vou sozinha ao cinema.
Odeio discutir o filme depois.
Segunda-feira, Março 13, 2006
Sexta-feira, Março 10, 2006
DALI, Salvador. Lighted Giraffes. 1936-37I.
Qual a palavra da fala,
qual a do pensamento?
Como o som frouxo
de um flautim
se espalhando
num salão
acústico:
me perco
no
sentido
das coisas.
II.
Lá fora,
(no mundo)
a tarde morre
rutilante,
e faz ecos
de luz.
A tarde faz ecos
em mim...
em meu mais
oco âmago,
no meu mais
seco íntimo.
III.
Olho para as duas mãos,
olho para os sapatos,
e para os botões,
coço o pescoço,
torço os dedos,
molho os lábios,
engulo seco,
estalo,
pisco,
dôo,
e não encontro palavra alguma.


































